225 days under grass

and you know more than I.
they have long taken your blood,
you are a dry stick in a basket.
is this how it works?
in this room
the hours of love
still make shadows.

when you left
you took almost
everything.
I kneel in the nights
before tigers
that will not let me be.

what you were
will not happen again.
the tigers have found me
and I do not care.

Charles Bukowski

pouco me interessa a metáfora. vazia, cheia de pretensiosismo. detesto certezas absolutas. gosto muito mais do que é simples, sem versos complicados, sem palavras que requeiram o dicionário. gosto da nudez. a nudez das palavras, a nudez de um corpo que subitamente se encontra sem palavras, a nudez exposta, a nudez nua, nua, nua. não gosto de artifícios, de palavras que escondem palavras. gosto da exposição total, da palavra que me diz, de uma linguagem própria, despida, da uma nudez crua, como uma dádiva.

Espero sempre por ti o dia inteiro,
Quando na praia sobe, de cinza e oiro,
O nevoeiro
E há em todas as coisas o agoiro
De uma fantástica vinda.

sophia de mello breyner andresen | obra poética I

En las entrañas del verano,
como una fibra más clara,
repercute la voz del heladero.

No es la infancia que vuelve.
No es algo de dios que se ha vestido de blanco.
No es una luna en el día.

Es sólo lo posible
que nos demuestra su existencia.

Lo imposible no levanta nunca la voz.

Roberto Juarroz

Baixou sobre a serenidade das coisas
um sono obscuro e terrível.
Poluiu o teu sorriso, o meu desejo;
intercala os gestos e as vozes ciciadas.

Cerramos os olhos para a penumbra
donde brotam, nítidas, as imagens:
Há uma criança no fogo,
o pavor de um soluço estrangulado,
fulgurantes, rápidas chamas.

Direi palavras insuportáveis como morte.

rui knopfli