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	<title>meninasderua &#187; fragmentos do diário</title>
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		<pubDate>Sat, 25 Mar 2023 16:34:55 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[fragmentos do diário]]></category>

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		<description><![CDATA[Apaixono-me facilmente no início da Primavera. Posso dizer que se trata de um estado de espírito. Acontece independentemente dos outros. Acontece de dentro para fora. Eu sou a origem da paixão. Eu e a Primavera. Atribuo o amor.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Apaixono-me facilmente no início da Primavera. Posso dizer que se trata de um estado de espírito. Acontece independentemente dos outros. Acontece de dentro para fora. Eu sou a origem da paixão. Eu e a Primavera.<br />
Atribuo o amor.</p>
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		<title>fragmentos do diário XXVII – breves de 2018</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Aug 2021 17:01:19 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[afinal, há ainda lugares secretos em lisboa. e viagens que se fazem pela madrugada. 6 janeiro a noite cumpre o seu papel e faz-me esquecer. mas as ressacas são fortíssimas, dores de cabeça que não passam nem depois de uma mão cheia de comprimidos. não sei beber moderadamente. não me basta um copo, não me [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>afinal, há ainda lugares secretos em lisboa. e viagens que se fazem pela madrugada. 6 janeiro</p>
<p>a noite cumpre o seu papel e faz-me esquecer. mas as ressacas são fortíssimas, dores de cabeça que não passam nem depois de uma mão cheia de comprimidos.<br />
não sei beber moderadamente. não me basta um copo, não me basta um corpo. procurar encher o vazio com o vazio dos outros. felicidades artificiais.<br />
doses pequenas não me fazem sentir. a melancolia é um vício e só o excesso me provoca alguma sensação sobre a pele.<br />
mas uma planta artificial pode ainda decorar uma sala. e já as fazem tão parecidas com as verdadeiras. 8 Janeiro</p>
<p>um porto seguro para chorar, é isto que preciso. que alguém me agarre e me deixe ficar ali, sem perguntar nada, sem pedir nada. 10 Janeiro</p>
<p>acredito que voltará à cidade e que voltará a mim. 14 Janeiro</p>
<p>Abri o diário e percebi que o que ia escrever, escrevi-o ontem – ninguém é ela e eu preciso dela. 18 Fevereiro</p>
<p>todos os domingos carregam domingos. é por isto que os domingos têm este peso, os movimentos lentos e dolorosos. o peso dos domingos pode ser medido no balança, como um coração tirado de um corpo. 15 Abril</p>
<p>É domingo. E é dia da mãe. Quão mau pode ser um dia? 6 Maio</p>
<p>No final da vida, quando já quase todos tiverem desaparecido, teremos nós espaço para pensar em alguma coisa que ainda exista? Ou iremos encher as horas a pensar em todos os que morreram? 6 Maio</p>
<p>tudo o que escrevo é uma repetição porque tudo o que sinto é uma repetição.<br />
os dias, uns iguais aos outros, preenchidos de um silêncio que rasga por dentro. 13 Maio</p>
<p>Demorei algum tempo a beijá-la. Parecia-me excessivamente nova. Eu estava inebriada pela beleza dela, pela sexualidade dela que tanto lembrava a Lolita de Nabokov.<br />
Na rua, encostava-se às paredes do Bairro Alto e dizia, passando a língua pelos lábios, “so, do you wanna kiss me?”. 24 Junho</p>
<p>Preciso sempre de mais. Se ela não me escreve, julgo que me esqueceu. Não sei lidar com paixões silenciosas. 25 Junho</p>
<p>Dizem que o período de luto são dois anos. Não são. É a vida toda. 27 Junho</p>
<p>com o tempo fui-me apercebendo que o estado mais próximo da felicidade é o do aborrecimento total.<br />
já se sabe que o êxtase – esses momentos incendiados em que todos os sentidos vivem numa espécie de transe – dura apenas breves instantes. nem o corpo aguentaria outra coisa, precisamos de acalmar a arritmia para voltar a respirar fundo, e respirar quebra a felicidade.<br />
porque buscamos toda a vida por algo que dura não mais que um momento? a felicidade, se continuada, será também uma rotina? e o nosso horror à rotina turva-nos a visão? leva-nos à procura da felicidade seguinte?<br />
daqui se depreende que só a tristeza nos renova todos os dias? só a tristeza nos mantém a salvo da rotina?<br />
que seres tão estúpidos somos nós. 30 Junho</p>
<p>Esta terra parece abandonada, tudo está deserto, ouve-se o mar onde quer que estejas e o som das gaivotas parecem gritos de guerra. Podia escrever todo o dia, enquanto olho as ondas enormes que rebentam aos meus pés. Poderia existir uma vida longe de tudo onde fossemos mais felizes? Bastar-me-ia o mar? Levar-me-ia a solidão à loucura? Ou a minha solidão salvar-me-ia da loucura? 18 Setembro</p>
<p>É Natal em toda a cidade. Quanto mais me desejam boas festas, mais enjoada fico. 21 Dezembro</p>
<p>um bebé com pouco mais de um ano carrega feliz uma garrafa de litro e meio de água. a certa altura, deita-a violentamente para o chão e rebenta num terrível choro. a garrafa vai rolando pela avenida ele segue-a com o olhar, chora ainda mais.<br />
não havendo ninguém que atendesse à sua dor, apressa-se e apanha a garrafa com as duas mãos. corre para a mãe a rir.<br />
podia a vida ser tão simples de agarrar?<br />
ou seremos nós a garrafa de água? 28 Dezembro</p>
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		<title></title>
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		<pubDate>Tue, 28 Aug 2018 12:57:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>meninasderua</dc:creator>
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		<description><![CDATA[e falar-te-ia dos dias sem ti, de como é morte é infinitamente mais insuportável do que aquilo que dizem. e de como agosto voltou sempre, ano após ano. viverás ainda em lisboa? poderá esta cidade guardar-te? poderá guardar todos os que nela, um dia, existiram?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>e falar-te-ia dos dias sem ti, de como é morte é infinitamente mais insuportável do que aquilo que dizem. e de como agosto voltou sempre, ano após ano.</p>
<p>viverás ainda em lisboa? poderá esta cidade guardar-te? poderá guardar todos os que nela, um dia, existiram?</em></p>
]]></content:encoded>
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		<title>fragmentos do diário XXVI – breves de 2017</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Jan 2018 22:49:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>meninasderua</dc:creator>
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		<category><![CDATA[fragmentos do diário]]></category>

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		<description><![CDATA[“o novo ano começa com o presságio de um amor”. esta era a frase a escrever, há dias atrás. não a escrevi porque a certeza da dor é tão absoluta e aterroriza-me de tal forma que mais vale não deixar mais um registo de uma desilusão escrito. 6 Janeiro Sinto-me pequena e frágil perante as [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>“o novo ano começa com o presságio de um amor”. esta era a frase a escrever, há dias atrás. não a escrevi porque a certeza da dor é tão absoluta e aterroriza-me de tal forma que mais vale não deixar mais um registo de uma desilusão escrito. 6 Janeiro</p>
<p>Sinto-me pequena e frágil perante as suas demonstrações de ternura. 9 Janeiro</p>
<p>O que me espera nas próximas horas? Que início de amor? Que amor?<br />
A felicidade que sinto só é equiparada ao medo que sinto.<br />
Preciso de quebrar o ciclo. Preciso de um amor passível de ser vivido. 11 Janeiro</p>
<p>Ocupo o lugar 14D do avião e reparo que não existe lugar 13. Portanto, à prova de azares. 11 Janeiro</p>
<p>Um mergulho em maré alta, chegar ao fundo, abrir os olhos e as águas serem transparentes, como os dias mais claros. 12 Janeiro</p>
<p>Pesadelos todas as noites. Acordo com imagens terríveis que me acompanham nos dias que se seguem. 23 Janeiro</p>
<p>O peso dos anos sobre o corpo. Tudo me dói e me esmaga e desejo voltar a dormir num profundo sono despovoado de imagens. 3 Fevereiro</p>
<p>Sonho com os olhos verdes dela &#8211; uma tempestade. 17 Fevereiro</p>
<p>E hoje é domingo. Destes domingos que chegam aos ossos. 19 Março</p>
<p>Passaram quase 30 anos. Somos adultos agora. Muito mais adultos do que julgávamos ser possível quando brincávamos às escondidas pela casa dela.<br />
E talvez só eu guarde estas memórias. Como uma dádiva ou maldição. Certamente estarão todos felizes por se encontrarem enquanto que eu trago todos estes fantasmas, permito que se sentem à mesa connosco. 24 Março</p>
<p>Silêncio. Sempre tanto silêncio. 25 Março</p>
<p>Pego no telemóvel para começar a escrever e percebo as saudades que tenho de um papel e uma caneta. 2 Maio</p>
<p>Farias anos hoje. Dir-me-ias, “estou acabado”. Eu chamar-te-ia de parvo, dir-te-ia que ainda bem que cá estás, que estás perto de mim, que irias morrer muito tarde, de velhice. Tu inclinarias a cabeça, olhando para mim e sorrindo, sabendo que eu te percebo mas feliz pela minha crença quase infantil na tua imortalidade. 2 Maio</p>
<p>Caminhar pela cidade, respirar a cidade. É ainda isto que me devolve.<br />
Depois de uma hora nestas ruas, a arritmia acalmou. 22 Maio</p>
<p>Tem acontecido isto, relações em que as pessoas não se dão mas dizem amar-me como nunca amaram. De que serve o amor pelo amor? Diria mesmo, o amor desprovido de amor. 1 Junho</p>
<p>Que bem me serviria uma vida sem trabalho!  Poder passar as tardes num café a ler, a escrever. 2 Junho</p>
<p>Não me tinha apercebido quão triste estava até reparar que o sol há muito já se tinha posto e que estava sentada na sala às escuras. 19 Junho</p>
<p>Ela diz-me que comprou a passagem. que chega dia 18. E eu sinto que me deram um nó por dentro, que deixei de conseguir respirar fundo. É como aquelas velas de aniversário que depois de soprarmos se voltam a acender. Como um vírus que surge cada vez que o sistema imunitário está comprometido e nos ataca por dentro. 25 Junho</p>
<p>Tão farta de pessoas. Afastam-se quando me aproximo, aproximam-se quando me afasto. Alguém sabe o que quer? 28 Junho</p>
<p>Ceder ao que sinto por ela. Seria um vendaval. 1 Julho</p>
<p>Aniversário. Há mais mortos que vivos ao redor desta mesa. Que dia horrível, horrível, horrível. Porque raio se festeja um dia destes? 3 Julho</p>
<p>Leio a poesia de Bukowski – Love is a Dog from Hell – e é esta poesia que melhor me serve. Não há palavras caras, romantismos desnecessários, há sexo e solidão, e solidão depois sexo e uma espera de que ninguém fala. 6 Julho</p>
<p>É estranho como nada me completa e ao mesmo tempo a companhia faz-me sentir ainda mais incompleta. 9 Julho</p>
<p>Momento há em que não quero apaixonar-me por ninguém, não quero sair desta zona de conforto que a solidão se tornou. 9 Julho</p>
<p>Vou buscar os diários de al berto. Abro sempre numa página ao calhas e de todas as vezes tenho de suster a respiração. Forma-se um nó na garganta que dói. 11 Julho</p>
<p>Domingos intermináveis. A solidão é cada vez maior. Ninguém aparece e o telefone não toca.<br />
Em três meses fará um ano que não vejo a mãe. A voz dela começa a desaparecer, como sempre desaparecem as vozes dos mortos.<br />
Continuar viva é isto, suportar a dor, estar no absoluto limite da tristeza. 16 Julho</p>
<p>Com ela relembro-me como pode ser perfeita uma relação. Passeamos e conversamos e rimos e eu sinto-me mais inteira. 20 Julho</p>
<p>Que me deem tudo, ou que fiquem longe de mim. 21 Julho</p>
<p>Quando me sento nas esplanadas da avenida e o fado se começa a ouvir, tudo volta a estar bem. Sou de lisboa.<br />
Se ao menos conseguisse passar para a escrita esta luz, como o vento faz estremecer as árvores e provoca as sombras interrompidas pelo sol. 29 Julho</p>
<p>Um desejo que me deixa doente – de algo tão simples como tocá-la na mão. 2 Agosto</p>
<p>Ela empurra-me para a escrita, para os livros, para o cinema. Coloca-me no centro de mim, faz-me sentir coisas como se fosse a primeira vez. e eu caio, sem rede, pelo olhar dela adentro. 2 Agosto</p>
<p>Mas há sempre o dia seguinte. 3 Agosto</p>
<p>E agosto hoje voltou a ser agosto. este mês lentíssimo, em que as ruas cheiram a morte e nenhuma voz virá salvar-me.<br />
Se ao menos Lisboa esvaziasse de repente e eu pudesse nela caminhar. Sem nenhuma voz, sem nenhum rosto.<br />
Que me seja devolvida esta cidade. 10 Agosto</p>
<p>A única forma de atingir a felicidade é o amor. Tudo o resto que queiramos inventar para lá chegar são actos desesperados de dar sentido à vida. 13 Agosto</p>
<p>Espero o metro na estação da avenida. Olho para as pessoas em volta e penso que um dia deixarei de cá estar, todas estas pessoas deixarão de cá estar. Estes carris sobreviver-nos-ão. 14 Agosto</p>
<p>Sozinha na praia. Faz-me bem este tempo de solidão, já que a solidão é tão profunda ao menos que as vozes se calem também. 18 Agosto</p>
<p>Costumava adorar regressar a Lisboa depois das férias, a beleza desta cidade era ainda mais evidente depois de uma ausência. Agora, olho para a avenida, para as sombras das árvores das quais ainda há uns dias falava e é como se a beleza não entrasse em mim. Estou fechada do lado de fora da beleza. 24 Agosto</p>
<p>Fico a imaginar que ela vai regressar de viagem e tudo voltará a ser como era. Mas ela regressará à cidade, não a mim. 25 Agosto</p>
<p>Acordavas hoje pela última vez. Haverá algum presságio do fim? Terás tu sentido que era a última manhã? Tudo tão breve, a vida passa a correr. De repente temos quarenta anos, de repente deixamos de cá estar. Que sentido faz tudo isto? Que sentido faz procurar um sentido? 28 Agosto</p>
<p>Ela é o início e o fim do meu desejo. 31 Agosto</p>
<p>Não salvei ninguém. Toda a vida a tentar. Nada, ninguém. Não salvei ninguém.<br />
O vazio que resta é dantesco. Como se o corpo estivesse esburacado por tiros. 7 Setembro</p>
<p>Há muito tempo que tenho noção disto em mim, deste pavor à ternura, deste medo do amor desprovido de violência, do amor simples, sem fugas. E entristece-me e pergunto-me se voltarei a amar tranquilamente. 21 Setembro</p>
<p>Talvez o tempo do desejo tenha acabado. Talvez o corpo se tenha gasto por excesso de uso. 27 Setembro</p>
<p>sábados que expõem a solidão<br />
sábados em que o sol fica fechado fora de casa<br />
sábados que são domingos<br />
estes dias intermináveis. 7 Outubro</p>
<p>Há uma sensação de orfandade neste vazio. Perdi o que me ligava à terra, as raízes desapareceram. 16 Outubro</p>
<p>Trabalho até de madrugada, trabalho aos fins-de-semana, aos feriados. Não deixo que a solidão me apanhe. Escrevo pouco para não criar espaços onde o pensamento me leve para lugares escuros. Porque, a bem ver, tirando o trabalho toda a vida é um espaço escuro. 12 Novembro</p>
<p>Esta solidão leva-me à loucura. 23 Novembro</p>
<p>Seria melhor nada escrever durante este interminável dezembro. 19 Dezembro</p>
<p>Medo de escrever sobre a noite com ela. Medo que tudo desapareça no momento em que escrever. 23 Dezembro</p>
<p>E assim chega a noite de natal, este natal feito de ausências.<br />
Temo que se começasse a chorar não houvesse como parar. 24 Dezembro</p>
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		<title>fragmentos do diário XXV – breves de 2016</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Jan 2018 20:55:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>meninasderua</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Há muito que não escrevo. Chegou finalmente uma paz que há muitos anos não sentia 26 Abril Álcool ao ponto de me esquecer quem sou. 17 de Maio A vida corre com os olhos postos no futuro. É a primeira vez que se passa isto – ser carregada pela esperança do que virá ao invés [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há muito que não escrevo. Chegou finalmente uma paz que há muitos anos não sentia 26 Abril</p>
<p>Álcool ao ponto de me esquecer quem sou. 17 de Maio</p>
<p>A vida corre com os olhos postos no futuro. É a primeira vez que se passa isto – ser carregada pela esperança do que virá ao invés da dor do que passou. 23 Junho</p>
<p>Tanta coisa se passará nos próximos meses que rebento de ansiedade. 7 de Julho</p>
<p>Momentos há em que desistir é a única vontade. 21 de Julho</p>
<p>O som do mar é imenso. Não o consigo ver desta varanda, mas adivinha-se o seu movimento pelo barulho que chega. Ouvem-se grilos e milhares de pequenos sons de outros animais dos quais desconheço os nomes. 6 de Agosto</p>
<p>E depois há a solidão dentro da solidão.<br />
Como as bonecas russas, no fundo da solidão nasce outra, mais profunda.  11 de Agosto</p>
<p>É a manhã do dia seguinte que custa. Abrir os olhos e a sensação de felicidade do dia anterior ter desaparecido. Subitamente voltámos a estar sós. 23 de Agosto</p>
<p>Esta urgência em que o amor aconteça. 24 de Agosto</p>
<p>Como foi possível teres-me deixado aqui?<br />
Nunca mais é demasiado tempo. É humanamente incompreensível que nunca mais possa vir a conversar contigo. 25 de Agosto</p>
<p>Leio o teu diário. As tuas palavras trazem imagens, relâmpagos de segundo em que volto a estar sentada na tua cama, tu ao meu lado. Oiço a tua voz. É um brevíssimo momento em que sustenho a respiração como que para a reter. Ao voltar a inspirar a voz desaparece e estou novamente no escritório, a ler as tuas palavras num computador, numa solidão tão profunda que assemelha-se a um transe –<em> uma leveza de cinzas</em>. 26 de Agosto</p>
<p>Chegar ao centro de Tirana e sentir as pernas falharem-me. Chorar. Estou aqui. Estou aqui. E sinto-me  em casa. 4 de Setembro</p>
<p>Percorrer as ruas de Tirana a caminho da minha antiga casa. Reconhecer aqui e ali pequenas coisas.<br />
Chegar ao fim da rua, abrir o portão. Suster a respiração. Ali estava. A minha casa. Como uma ruína. O meu jardim, a mesma árvore frente à janela. A casa está abandonada como se ninguém depois de mim ali tivesse estado. Abro a porta. Estou dentro de casa. Igual, as escadas para o meu quarto. O meu quarto.<br />
Poderia toda a vida procurar palavras para explicar a sensação e não conseguiria. Transbordo-me. Nunca me encontrei tão sem palavras. Sair de mim e encontrar-me no centro de mim. Regressar. 4 de Setembro</p>
<p>Quero ficar. Esquecer-me de Lisboa por uns tempos.  5 de Setembro</p>
<p>Acreditava que esta viagem me traria paz.<br />
Regresso a lisboa com esta sensação de já não pertencer aqui.<br />
Dói este sentimento de não pertencer a lisboa. Dói-me outra vez acordar nesta cidade. 20 de Setembro</p>
<p>Reapreender a andar na cidade, permitir que Lisboa me guarde. 22 de Setembro</p>
<p>Noite após noite acordar com medo, não reconhecer a minha casa. 27 de Setembro</p>
<p>Regresso às margens da água, depois de um mergulho tão fundo, tão escuro. 6 de Outubro</p>
<p>Quantos lutos somos capazes de suportar numa vida? Quantas vezes morremos ao longo dos anos? 21 de Dezembro</p>
<p>Haverá dia mais triste que o dia de Natal? 25 de Dezembro</p>
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		<item>
		<title>fragmentos do diário XXIV – breves de 2015</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Jan 2018 17:36:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>meninasderua</dc:creator>
				<category><![CDATA[escrito]]></category>
		<category><![CDATA[fragmentos do diário]]></category>

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		<description><![CDATA[Não me dou porque não tenho o desejo de me dar? Ou não me dou porque dar-me seria permitir que ela me destruísse? 8 Janeiro As defesas que construí são muros tão altos que não sei já onde me encontro. 10 Janeiro Quando tudo em mim está calmo, não escrevo. Mas não escrever é como [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não me dou porque não tenho o desejo de me dar? Ou não me dou porque dar-me seria permitir que ela me destruísse? 8 Janeiro</p>
<p>As defesas que construí são muros tão altos que não sei já onde me encontro. 10 Janeiro</p>
<p>Quando tudo em mim está calmo, não escrevo. Mas não escrever é como respirar mal. Se não escrevo, sinto que vivo à superfície das coisas. Quando a dor é intensa, escrevo ininterruptamente. estou no centro de mim. Daqui se depreende que preciso da dor para me sentir inteira. haverá alguma vez equilíbrio em mim? 13 Fevereiro</p>
<p>É difícil acreditar que em algum ponto do mundo hoje faça sol. Em lisboa chove, chove, chove. 17 Março</p>
<p>A vida está longe de ser o que sonhámos.<br />
Que liberdade deliciosa a que temos quando somos adolescentes de imaginar que a vida pode ser perfeita. Os sonhos afiguram-se a momentos isolados no tempo, sem passado. Nos sonhos, não se contemplam os desastres. 2 Abril</p>
<p>A vida não é só o que fazemos dela. Porque precisamos dos outros para existir somos mais vulneráveis. 2 Abril</p>
<p>Depois de uma semana de um verão fora de tempo, voltou o inverno. Quando abri os olhos pensei que ainda não tinha amanhecido. Saí à rua e tudo estava muito quieto, deserto, só o barulho da chuva. 6 Abril</p>
<p>Vi duas comédias românticas seguidas e chorei repetidamente. Detesto comédias românticas. E detesto ainda mais chorar a ver comédias românticas. 20 Abril</p>
<p>Durmo mal, a noite inteira como uma alucinação, mexo-me sem parar. Não chego a acordar, é um estado de uma consciência alterada, sinto que cordas me prendem à cama. 28 Abril</p>
<p>Fui ter com ela já passava das duas da manhã. bastou-me olhar para ela para que tudo em mim se esvaziasse e se enchesse de amor. Apaixono-me por ela sempre que a vejo.  Andámos por lisboa com álcool e drogas. Não conseguia sentir-me senão feliz. 3 Junho</p>
<p>Ela deixa-me numa total embriaguez dos sentidos. Os fragmentos de segundos em que me sentia finalmente em casa, o tempo não tinha passado, nada de mal tinha acontecido e o futuro seria com ela ao meu lado. Os fragmentos de segundos de dor insuportável, o desespero por ela não poder ficar, o desespero por ela não ficar nunca porque o amor não chega. 15 Junho</p>
<p>Cama sem desejo, cama por cama, cama “porque não?”. 24 Junho</p>
<p>É como se o verão tivesse acabado de repente. O meu corpo acompanha o movimento das estações e as sombras da cidade instalam-se em mim.<br />
Fiquei subitamente muito triste, tão vazia como estavam as ruas durante a tarde. Sobre o tejo caía um nevoeiro tão denso que dir-se-ia que o rio não existia. 13 de Setembro</p>
<p>E as ressacas são cada vez mais penosas. Em tempos curaria a ressaca bebendo mais, fodendo com estranhos, dormindo o tempo todo que restava entre uma embriaguez e a outra.<br />
Nada disso é suficiente agora. Tenho medo da idade a passar. Tenho medo de ficar sozinha 14 Setembro</p>
<p>Há tanto para escrever. Mas existem estes dias, em que toda a escrita é uma repetição. Como viver é por vezes uma peça que se repete no mesmo palco. 8 Outubro</p>
<p>Ela vai tocar à campainha a qualquer momento e eu sinto-me como uma adolescente que espera o namorado para a primeira saída a dois. 2 Novembro</p>
<p>Não amo. Não amo. Não amo. 7 Novembro</p>
<p>Não tenho escrito por não saber o que escrever. O que resta quando acaba o amor? Que palavras? 24 Novembro</p>
<p>Sentei-me na mesa da sala a comer qualquer coisa e ela dançava à minha frente, tentando que eu reagisse. Senti-me no filme Bitter Moon, do Polanski. Ali estava a mulher mais bonita do mundo, a dançar apenas para mim e a beleza dela já nada me provocava. Eu continuava a comer com indiferença e ela nem sequer percebia, continuava a insinuar-se com movimentos que se pareciam com os de uma marioneta que dança sem qualquer graciosidade, desconjuntada. 24 Novembro</p>
<p>Quanto pode custar atravessar um dia? 1 Dezembro</p>
<p>Tentar encontrar o sentido das coisas quando a vida é desprovida de amor. Existirá algum? 15 Dezembro</p>
<p>É outra vez o último dia do ano. Não consigo distinguir este do ano passado. Atravessei o inferno e cheguei a esta paz. E o que fazer com este deserto de emoções? 31 Dezembro</p>
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		<pubDate>Fri, 05 Jan 2018 13:46:11 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[fragmentos do diário]]></category>

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		<description><![CDATA[Se acreditasse em deus diria — que deus me proteja do amor.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Se acreditasse em deus diria — que deus me proteja do amor.</em></p>
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		<pubDate>Mon, 16 Oct 2017 14:15:29 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[fragmentos do diário]]></category>

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		<description><![CDATA[A palavra espera cabe na palavra esperança. Quando acaba a esperança, que esperamos nós? Por que vida esperamos quando na vida não temos esperança?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A palavra espera cabe na palavra esperança. Quando acaba a esperança, que esperamos nós?<br />
Por que vida esperamos quando na vida não temos esperança?</p>
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		<pubDate>Mon, 11 Sep 2017 14:16:26 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[saberás que para lá do trigo existe uma criança em fuga. o verão devolve-te a memória, junto ao berço a boneca de porcelana. há uma casa vazia estendida sobre os anos. já nada se festeja e existimos ainda.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>saberás que para lá do trigo<br />
existe uma criança em fuga.</p>
<p>o verão devolve-te a memória,<br />
junto ao berço a boneca de porcelana.</p>
<p>há uma casa vazia estendida<br />
sobre os anos. já nada se festeja e<br />
existimos ainda.</p>
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		<pubDate>Thu, 10 Aug 2017 19:33:22 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[se ao menos Lisboa esvaziasse de repente e eu pudesse nela caminhar. sem nenhuma voz, sem nenhum rosto.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>se ao menos Lisboa esvaziasse de repente e eu pudesse nela caminhar. sem nenhuma voz, sem nenhum rosto.</em></p>
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