Ah, a morfina no meu coração: durmo com os olhos
abertos diante de um território branco abandonado
pelas palavras.
António Gamoneda
Ah, a morfina no meu coração: durmo com os olhos
abertos diante de um território branco abandonado
pelas palavras.
António Gamoneda
There’s a man on the horizon
Wish that I’d go to bed
If I fall to his feet tonight
Will allow rest my head
Hope there’s someone
Who’ll take care of me
When I die, will I go
Antony And The Johnsons
é no silêncio
que melhor ludibrio a morte
não
já não me prendo a nada
mantenho-me suspenso neste fim de século
reaprendo os dias para a eternidade
porque onde termina o corpo deve começar
outra coisa outro corpo
ouço o rumor do vento
vai
alma vai
até onde quiseres ir
al berto
o desastre da noite atravessá-lo-emos em absoluta erecção
uma deslumbrante miragem
interromperá qualquer rasto de pesadelo
quando a madrugada cintilar tudo continuará insensível
apesar de nos termos tocado.
al berto
Eu não fui feita para acasalar com homens sensatos.
Anaïs Nin
deus, com o tempo, também tinha apodrecido no meu coração.
al berto
O que há em mim é sobretudo cansaço —
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
Álvaro de Campos
Quando te ofereces por mal ou por bem
a minha alegria pára onde começa.
Quando te ofereces é a mim que recuso.
Ainda que deseje receber as fibras
do mais que sonhei. Este amor reduzo.
Dá-me o teu olhar eu vou-lhe fugir
através de vidros onde não me encontres.
E daí não sei. Inclina o teu rosto
na água da noite da qual me gerei
até ser eu mesmo: eu faltar-te-ei.
Rogério Rôla
e acaso nos tocar o azar
o combinado é não esperar
que o nosso amor é clandestino.
Dá-me a tua boca.
Vem depressa para ser mais depressa.
Depressa.
É tudo.
Depressa.
Marguerite Duras | C’est tout