Chegavam silenciosas, noite alta,
comboiando o estrangeiro
faminto de alma.
Depois, no quarto ao lado,
com homens variados,
faziam explodir os seus gemidos
que ouvíamos sorrindo, sussurando belezas.
Era sua a verdade?
Era tanto o prazer?
Gemiam por gemer
Ou por delicadeza?
De manhã tomavam banho,
um pão com leite e mais nada.
O piso húmido ficava
com vestígios
e pegadas.
Nunca lhes vi bem a cara.
Mas que importância tem isso?
Só tinham a ver comigo
na medida em que era tanto
seu ser simplesmente humano.
E que tinha um par de ténis.
E que elas tinham
vinte anos.
Renata Pallottini | Um Calafrio Diário
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Um amigo mostrou-me este poema há dias. Não deixa de ser estranho olhar para este título :)

As palavras estão gastas nanixa, mas felizmente na poesia, as palavras são raramente o cerne da questão.
Beijo
PS – Esta coincidência, para mim, é meramente um elogio à Renata Pallottini.