fragmentos do diário III

Há dias, à saída do cinema, uma troca de olhares. Ela aproximou-se.

- Conheces-me?
- Não. – disse eu, a medo
- Então estavamos a brincar?
Sorri.
- Se estavamos a brincar foi muito bom – e riu-se. Estremeci.
Dei-lhe o meu número de telefone. Não telefonou.

No sábado fui ao cinema. Encontrei-a.

- Não me telefonaste. – disse
- Não.
- Porquê?
Ela sorri.
- Quando me lembrava já era tarde.
Olhava para os olhos verdes dela. Pensava em “B”. Esta mulher é mais bonita.
- Amanhã? – perguntei-lhe.
- Amanhã não, um dia.

19 Maio 1997

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