Como é que é possível? Onde a realidade profunda da tua pessoa, meu velho? Onde, não os teus olhos, mas o teu olhar?, não a tua boca, mas o espírito que aí vivia? Onde, não os teus pés ou as tuas mãos mas aquilo que eras tu e se exprimia aí? Vejo, vejo, céus, eu vejo aquilo que te habitava e eras tu e sei que isso não era nada, que era um puro arranjo de nervos, carne e osso a apodrecerem. Mas o que me estrangula de pânico, me sufoca de vertigem é teres sido vivo, é tu estares ainda todo uno para mim, na memória do teu riso, no tom da tua voz, que era lenta, sossegada, nas ideias que punhas a viver entre nós, na realidade fulgurante de seres uma pessoa.
Vergílio Ferreira | Aparição
10:58 pm |
What good would heaven be
If the angels come for me I’d tell them no.
Michael Jackson
10:57 am |
Eu semeio o vento
Na minha cidade
Vou p’ra rua e bebo a tempestade
Chico Buarque
9:53 pm |
Ah, a morfina no meu coração: durmo com os olhos
abertos diante de um território branco abandonado
pelas palavras.
António Gamoneda
11:35 pm |
There’s a man on the horizon
Wish that I’d go to bed
If I fall to his feet tonight
Will allow rest my head
Hope there’s someone
Who’ll take care of me
When I die, will I go
Antony And The Johnsons
10:51 pm |
é no silêncio
que melhor ludibrio a morte
não
já não me prendo a nada
mantenho-me suspenso neste fim de século
reaprendo os dias para a eternidade
porque onde termina o corpo deve começar
outra coisa outro corpo
ouço o rumor do vento
vai
alma vai
até onde quiseres ir
al berto
4:00 am |