O tempo, subitamente solto pelas ruas e pelos dias, como a onda de uma tempestade a arrastar o mundo, mostra-me o quanto te amei antes de te conhecer. Eram os teus olhos, labirintos de água, terra, fogo, ar, que eu amava quando imaginava que amava. Era a tua, a tua voz que dizia as palavras da vida. Era o teu rosto. Era a tua pele. Antes de te conhecer, existias nas árvores e nos montes e nas nuvens que olhava ao fim da tarde. Muito longe de mim, dentro de mim, eras tu a claridade.
José Luís Peixoto
8:45 pm |
Chorei porque já não podia acreditar e eu adoro acreditar.
Anaïs Nin
6:17 pm |
Por vezes pode dizer-se que nada acontece a não ser essa mentira.
Marguerite Duras
12:16 am |
Ela diz-lhe que venha. Venha. Diz que é um veludo, uma vertigem, mas também que não se deve acreditar, um deserto, uma coisa malfazeja que também leva ao crime e à loucura. Pede-lhe que venha ver isso, que é uma coisa infecta, criminosa, uma água turva, suja, a água do sangue, que um dia ele terá de o fazer, mesmo só uma vez, vasculhar naquele lugar comum, não vai conseguir evitar isso a vida inteira. Mais tarde ou esta noite, qual a diferença?
Marguerite Duras
Les yeux bleus, cheveux noirs
10:08 pm |
tenho medo, medo de voltar a escrever incessantemente e rasgar tudo o que escrevo. medo, medo de ouvir aquilo que não se ouve a não ser quando escrevo, como se o corpo todo estremecesse pela última vez.
al berto
1:27 am |
Quero-te para sonho,
Não para te amar.
Fernando Pessoa
12:09 am |
hoje falo outra língua gesticulo noutro ritmo. vivo uma segunda escrita. extraviei-me. invento uma nova maneira de sufocar.
Al Berto
1:51 am |