Arquivo: Março 2016

Non abbiamo che questa virtù: cominciare
ogni giorno la vita – davanti alla terra,
sotto un cielo che tace – attendendo un risveglio.

Cesare Pavese

se hoje voltasses, não reconhecerias
esta cidade.

a loja de discos desapareceu e o
alfarrabista é um café para turistas.

nunca mais a rua augusta deserta
numa noite de agosto.

as esplanadas apinhadas e o café
ao dobro do preço. o teu são domingos, nem imagino.

tuk-tuks seria uma palavra a aprender
e todos os dias passariam à tua porta.

se hoje voltasses, teríamos de subir ao telhado
lá de casa, tão alto que ninguém existe.

dir-me-ias,
é o azul do tejo que permanece.

é perversa a ausência da escrita.
quando tudo em mim está calmo, não escrevo. mas não escrever é como respirar mal.
se não escrevo, sinto que vivo à superfície das coisas. quando a dor é intensa, escrevo ininterruptamente, estou no centro de mim.
daqui se depreende que preciso da dor para me sentir inteira.
haverá alguma vez equilíbrio em mim?