Arquivo: 2010

Só a tua ausência fica, agora já sem nenhuma espessura, nenhuma possibilidade de nela abrir um caminho, de nela sucumbir de desejo.

Marguerite Duras

doem-me as mãos. um vómito sobe. sinto-me demasiado fraco para suportar o meu próprio peso. se ao menos a morte me prevenisse que chegaria. bastava que me mostrasse um vertiginoso buraco na água, um diáfano sorriso de pássaros ou uma pedra flutuando.

al berto

alguma coisa se põe a sangrar dentro de mim, olho as coisas e não as vejo. a alma sangra e não encontro remédio, nem consolo.
o melhor é não pensar, não registar, não me mexer. deixar que o tempo apague em mim a sensação de estar vivo.

al berto

não sei para onde foste morrer
eu continuo aqui… escrevo
alheio ao ódio e às variações do gosto e da simpatia
continuo a construir o relâmpago das palavras
que te farão regressar… ao anoitecer
há uma sensação de aves do outro lado das portas
os corpos caídos
a vida toda destinada à demolição.

al berto

But if you’re looking for a way out:
Don’t look at the tears that I’m crying
They’ll only make you wanna stay.
Don’t kiss me again coz I’m dying
To keep you from running away.