Arquivo: 2011

agora tu eras como o tempo
despido dos dias, por fim
vulnerável e nu, e eu
era por ti adentro eternamente

lentamente
como só lentamente
se deve morrer de amor

Valter Hugo Mãe

I wake up in the morning and I wonder,
Why everything’s the same as it was.
I can’t understand. No, I can’t understand,
How life goes on the way it does.

Why does my heart go on beating?
Why do these eyes of mine cry?
Don’t they know it’s the end of the world.
It ended when you said goodbye.

Davis Skeeter | the end of the world

A chuva embate com fúria contra as janelas, às rajadas do vento. Estou mais só, sem a passagem de mim para lá da vidraça. Se tu viesses. Ainda que trouxesses a tua pequena ruga de irritação. E se te sentasses aqui comigo à braseira a ouvir a tempestade. E eu te tomasse uma tua mão, abandonada e fria. E houvesse calor bastante em fitar o teu olhar. E soubesses como era bom eu olhar-te. E inventássemos a harmonia de estarmos assim um com o outro até sempre, a ouvir a chuva e o vento. E ficarmos assim em silêncio por já termos dito tudo.

Vergílio Ferreira