a náusea.
Arquivo: 2011
espera-me uma infindável noite, escrevo contra o medo.
al berto
A casa vazia. Este silêncio.
E nada, nada, nada.
Can’t you see what you’ve done to my heart and soul?
This is a wasteland now.
Dizer um corpo.
Onde nenhum.
Mente nenhuma.
Onde nenhuma.
Ao menos isso.
Um lugar.
Onde nenhum.
Para o corpo.
Estar lá dentro.
Mover-se lá dentro.
E sair.
E voltar lá para dentro.
Não.
Sair nenhum.
Voltar nenhum.
Só entrar.
Ficar lá dentro.
Em diante lá dentro.
Parado.
Tudo desde sempre.
Nunca outra coisa.
Nunca ter tentado.
Nunca ter falhado.
Não importa.
Tentar outra vez.
Falhar outra vez.
Falhar melhor.
Primeiro o corpo.
Não. Primeiro o lugar.
Não. Primeiro ambos.
Ora um deles.
Ora o outro.
Até fartar de um deles e tentar o outro.
Até fartar também deste e fartar outra vez de um deles.
Assim em diante.
Dalgum modo em diante.
Até fartar de ambos.
Vomitar e partir.
Para onde nem um nem outro.
Até fartar desse lugar.
Vomitar e voltar.
Outra vez o corpo.
Onde nenhum.
Outra vez o lugar.
Onde nenhum.
Tentar outra vez.
Falhar outra vez.
Melhor outra vez.
Ou melhor pior.
Falhar pior outra vez.
Ainda pior outra vez.
Até fartar de vez.
Vomitar de vez.
Partir de vez.
Samuel Beckett | Pioravante Marche
quando ela não está o mundo inteiro é ausência.
quando ela está o mundo inteiro é ausência.
Leio o amor no livro
da tua pele;
demoro-me em cada
sílaba, no sulco macio
das vogais, num breve obstáculo
de consoantes, em que os meus dedos
penetram, até chegarem
ao fundo dos sentidos. Desfolho
as páginas que o teu desejo me abre,
ouvindo o murmúrio de um roçar
de palavras que se
juntam, como corpos, no abraço
de cada frase. E chego ao fim
para voltar ao princípio, decorando
o que já sei, e é sempre novo
quando o leio na tua pele.
Nuno Júdice
Há um pequeno sismo em qualquer parte
ao dizeres o meu nome.
Eugénio de Andrade
Que farei quando tudo arde?
Sá de Miranda
tão perto que os meus olhos se fecham
com o teu sono.
Pablo Neruda
