Tandis que je ne vous aime plus je n’aime plus rien, rien, que vous, encore.
Marguerite Duras
Tandis que je ne vous aime plus je n’aime plus rien, rien, que vous, encore.
Marguerite Duras
assim chega o mês da tua morte. este ano em que todos os meses foram o mês da tua morte.
os dias arrastam uma tristeza crescente.
olhei longamente o mar e pensei que é preciso sentir a morte dentro de nós para perceber o abismo das águas.
Permaneço deitado, ignoro o dia, não me mexo, recuso-me a pensar. Durmo como se nunca mais acordasse, e ao acordar já é novamente noite. Como abundantemente, fumo muitos cigarros e bebo pelo menos meio litro de café.
Mas, apesar de tudo, e com a prática de muitas ressacas, nem sempre consigo evitar a dor provocada por essa mesma ressaca- a ressaca mental.
Sempre bebi em quantidade, violentamente, para perder a noção de mundo, e do mundo. Nunca bebi por paixão, nem por desgosto de amor, não, nunca bebi dramaticamente. E no dia seguinte a ter bebido muito, é como se os sentidos e a memória tivessem sido passados a esfregona e lixívia.
E dos sentidos surgem então sensações estranhas. Por exemplo, um órgão qualquer desata a arder, ou perco a visão- cego por instantes, e sou obrigado a tactear-me para me certificar de que existo.
Nada disto é agradável ou desagradável, é um outro estado de singular lucidez que pode prolongar-se horas a fio, entre uma espécie de escuridão primordial e a fulguração dum tempo ainda por vir, ou já eterno.
Fico assim, perdido no fundo de mim mesmo, sem nome, sem olhar para o que me rodeia, sem corpo que me transporte, sem pensamentos.
Quanto à memória, é terrível. Umas vezes vai buscar imagens distantes de acontecimentos que, em geral, ainda virão a suceder. Outras, pura e simplesmente não há memória de nada. Um pouco como se eu começasse a ser a cada fracção de segundo, e levo um tempo infinito, desumano, para erguer de novo, peça a peça, o que sou.
A embriaguez é um momento de vida incendiada, ou suspensa, e a ressaca um tempo de lenta e demorada reconciliação com o mundo, e comigo mesmo.
Mas, um dia, tenho a certeza, não terei forças para me reconciliar com o mundo, nem vontade de regressar de onde estiver. Continuarei a beber ininterruptamente e não haverá mais ressaca, nem dor.
Seduz-me a ideia de vir a morar num corpo que já não sente, etílico talvez, transparente, e com uma leveza de cinzas.
al berto
i’ve always contained your desire to hurt me
but when will i turn and cut the world?
(…)
my heart is a record of dangerous scenes
but when will i turn and cut the world?
Your ghost runs through me in that special way
It’s a nice old town
My hometown
Some people underestimate how erotic it is to be understood.
Mary Rakow

Helena Almeida
Nunca mais acabas de partir
é um horror a tua viagem
para longe de mim, o teu
regresso a uma vida onde
não tenho lugar, o teu
regresso a um lugar onde
não faço sentido, a tua
infinita partida, os teus
despojos por todo o lado,
é um horror tu dentro de
todos os poemas.
Sarah Adamopoulos
agosto não tarda a chegar. dentro de mim agosto durou o ano inteiro. só dentro de mim agosto foi frio.
a solidão toma os dias de assalto. sento-me junto ao tejo à tua espera.
há-de cair a noite e tu não regressarás de nenhuma viagem.
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Álvaro de Campos
Por favor telefona-me. Deixa-me ouvir sim, sou eu.
Por favor volta porque sem ti_____ é tudo sem ti.