Arquivo: 2013

Light me up a cigarette and put it in my mouth
You’re the only one that wants me around
And I can think of a thousand reasons why
I don’t believe in you, I don’t believe in you and I

Angus and Julia Stone

São as ruínas de Lisboa que me comovem. A beleza decadente, como uma mulher lindíssima que chega à terceira idade. Esta solidão intrínseca, íntima como um segredo.
Não tenho Deus. Tenho Lisboa. É esta cidade que me guarda.

talvez não exista uma forma de fazer desaparecer totalmente a esperança. quando já não temos esperança, temos ainda esperança. um amante tem sempre esperança, faz parte da sua condição de amante. e se ele ama independentemente da sua vontade, então a esperança existe também, independentemente da sua vontade.

acreditar ou não no futuro de um amor não influencia a esperança. acreditar ou não é um processo racional e nada tem a esperança a ver senão com movimentos involuntários das emoções.

se na Caixa de Pandora todos os males estavam guardados e ao abri-la todos se espalharam excepto a esperança quererá isto dizer que os gregos acreditavam que a esperança era um mal?

quando temos esperança apesar de, quando temos esperança contra a razão, contra o mundo, é a esperança uma maldição.

A lei do silêncio é inútil. Quando algo nos persegue na nossa memória ou na nossa imaginação, as leis do silêncio são inúteis, é como fechar uma porta à chave numa casa em chamas na esperança de nos esquecermos que ela está a arder. Mas fugir do incêndio não o apaga. O silêncio em relação a uma coisa só lhe aumenta o tamanho. Cresce e apodrece em silêncio, torna-se maligno.

Tennessee Williams