pronuncia teu nome para que seja impossível esquecer-me do meu.
toca-me o rosto com o teu nome, ou pousa-o sobre as mãos; debruça-te para dentro de mim e deixa que o segredo do tempo fulmine os ossos.
Al Berto
pronuncia teu nome para que seja impossível esquecer-me do meu.
toca-me o rosto com o teu nome, ou pousa-o sobre as mãos; debruça-te para dentro de mim e deixa que o segredo do tempo fulmine os ossos.
Al Berto
Acompanha-me a casa
Já não aguento mais
Deposita na cama
Os meus restos mortais
Frágil
Sinto-me frágil
Frágil
Esta noite estou tão frágil.
Jorge Palma
(…)
Mas hoje não…
Não, hoje nada; hoje não posso.
A persistência confusa da minha subjectividade objectiva,
O sono da minha vida real, intercalado,
O cansaço antecipado e infinito,
Um cansaço de mundos para apanhar um eléctrico…
Esta espécie de alma…
Só depois de amanhã…
Álvaro de Campos
seduz-me a ideia de
vir a morar num corpo que já não sente,
etílico talvez,
transparente,
e com uma leveza de cinzas.
al berto
(11 Janeiro 1948 – 13 Junho 1997)

Sento-me à minha banca de trabalho.
Vou começar uma obra que há muito tempo medito.
Traço as primeiras linhas.
Ergo-me desiludido.
Não posso admitir as minhas ideias.
Elas parecem-me vulgares.
Não creio na minha obra. Duvido se serei um artista. O outro é que tem razão.
Se eu fosse um artista seria belo.
Mário de Sá Carneiro
(…)
Talvez que amanhã
Em outra paisagem
Digas que foi vã
Toda essa viagem
Até onde quis
Ser quem me agrada…
Mas ali fui feliz
Não digas nada.
Fernando Pessoa
temos um som assustador preso nas mãos
al berto
[de contar os dias pelos dedos]
Não sei se dura sempre esse teu beijo
Ou apenas o que resta desta noite
O vento, enfim, parou
Já mal o vejo
Por sobre o Tejo
E já tudo pode ser
Tudo aquilo que parece
na Lisboa que amanhece
Sérgio Godinho
Não consigo evitar. Posso passar horas a olhá-la.