22 anos

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(e são ainda as tuas mãos que me salvam da loucura.)

E oiço o eco da tua voz, da tua voz que nunca mais poderei ouvir. A tua voz calada para sempre. E, como se adormecesses, vejo-te fechar as pálpebras sobre os olhos que nunca mais abrirás. Os teus olhos fechados para sempre. E, de uma vez, deixas de respirar. Para sempre. Para nunca mais.
Tudo o que te sobreviveu me agride.

José Luis Peixoto | Morreste-me

3 thoughts on “22 anos

  1. Alguem

    Soubera eu escrever o texto mais bonito sobre a morte, sobre uma pessoa tao bonita. Nao sei. Penso no entanto, que se existissem anjos da guarda, ela seria o anjo mais protector, nao existiriam maos que cuidassem tao bem de alguem, como as dela ao cuidar de ti.

    *

  2. c'

    Dorme, meu amor, que o mundo já viu morrer mais este dia e eu estou aqui, de guarda aos pesadelos.
    Fecha os olhos agora e sossega — o pior já passou há muito tempo; e o vento amaciou; e a minha mão desvia os passos do medo. Dorme, meu amor — a morte está deitada sob o lençol da terra onde nasceste e pode levantar-se como um pássaro assim que adormeceres. Mas nada temas: as suas asas de sombra não hão-de derrubar-me — eu já morri muitas vezes e é ainda da vida que tenho mais medo. Fecha os olhos agora e sossega — a porta está trancada; e os fantasmas
    da casa que o jardim devorou andam perdidos nas brumas que lancei ao caminho. Por isso, dorme, meu amor, larga a tristeza à porta do meu corpo e nada temas: eu já ouvi o silêncio, já vi a escuridão, já olhei a morte debruçada nos espelhos e estou aqui, de guarda aos pesadelos — a noite é um poema que conheço de cor e vou cantar-to até adormeceres.

    Maria do Rosário Pereira

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