Dói-me por todo o corpo uma mulher.
Jorge Luis Borges
Dói-me por todo o corpo uma mulher.
Jorge Luis Borges
Dans quelques années, quand je t’aurai oubliée, et que d’autres histoires comme celle-lá, par la force encore d’habitude, arriveront encore, je me souviendrai de toi comme de l’oulbli de l’amour même. Je penserai à cette histoire comme à l’horreur de l’oubli. Je le sais dejá.
Marguerite Duras
Durante o último ano e meio de existência deste blog muitos foram os que aqui vieram parar, certamente ao acaso, depois de pesquisas na net. Sempre me diverti ao olhar para as estatísticas do blog e perceber as palavras que trouxeram algumas pessoas. E são talvez as palavras que me definem.
há muito tempo que não existo
fumar pólen
solidão é amar alguém que nos quer um pouco menos
vestido de noiva transparente
boneca igual a um bebé
como memorizar tudo
som assustador
senti-me agora respirar
carta a dizer amo-te
devore moi deforme moi
bicicleta de criança
woolf frascos
gatos cinzentos
portugal no tempo de fernando pessoa
pisang ambom
nevoeiro em lisboa
frases de engate
bonecas de porcelana
roçar no metro
frases estou apaixonada por ti
pais que fodem as filhas
anais nin
tu me tues tu me fais du bien
mulher anjo diabo
perda de um amor
choro e descarga nervosa
o beijo roubado na boca é traição?
frases sem ti não sou capaz
tomo antidepressivos há sete anos e agora deixei por quanto tempo vou esperar até começar a ter erecção?
sacos água quente no coração
o que me rodeia move-se no interior surdo de suas proprias sombras
incesto
deslumbro-me contigo
realmente pensei que te amasse e vejo que não
eu e a minha amiga juntas na cama
butterfly o filme
sombras de pessoas
viciadas em sexo bruto
viver numa cama de hospital
há o perigo de um grito lindíssimo
estamos no mesmo bar e tu acompanhado por ela és incapaz de tirar os olhos de mim
fugir de ti
estou triste – frase
poesias de solidão interior
amo-te como se sempre te tivesse amado
acabou porque não me ama
ruas
escrevo especialmente para ti
5 noites 5 filmes
persona
so i ll wait for you… and i ll burn
quem dera que tu me amasses
calmantes e coração
frases para amor separado por morte
frase eu poderia escrever mil palavras ou frases feitas
poesias para meninas de rua
du temps passera. du temps seulement
como se diz em grego fazer amor contigo
sinto-me doente de amor
estou arder aqui dentro

Entrei numa livraria. Pus-me a contar os livros que há para ler e os anos que terei de vida. Não chegam, não duro nem para metade da livraria. Deve certamente haver outras maneiras de se salvar uma pessoa, senão estou perdido.
Almada Negreiros
I put my hands among the flames. Nothing burns.
Sylvia Plath

Rebecca Veit
Mas um dia, tenho a certeza, não terei forças para me reconciliar com o mundo, nem vontade de regressar de onde estiver.
Al Berto
almoço sozinho. chove, é preciso cultivar a solidão. nada me dói e ninguém bateu à porta. não há riso no dia a dia, e isto nada tem de angustiante ou literário.
encosto a cara às vidraças da imensa janela, surge a visão de uma ilha. são muitas horas com a cara encostada aos vidos, olhando o mar, olhando-o até que desapareça.
a noite desce e esconde a paisagem em soluços de sombra. e esconde-me de meus próprios pensamentos. um escuro tão espesso que ao passar uma mão pela outra não as sinto.
é no instante fulgurante em que já não possuo corpo, nem sentimentos, nem desejo algum, que surje a escrita: essa mentira.
escrever é um modo falsamente inofensivo de nos suicidarmos. um dia esquece-se tudo, escrevemo-nos. no fundo, sou um homem sentado, a escrever, num recanto inacessível do meu próprio corpo.
Al Berto
faz frio e o tempo enevoado deprime-me. a noite desgasta-me.
quem me dera conseguir não pensar em nada, deambular pela vida sem desejar, sem projectar fosse o que fosse, nem querer possuir mais que a humilde condição de continuar vivo.
talvez sentar-me junto ao mar e olhar as águas incendiadas. milhares de aves sobrevoando o cais. o frio entra pela janela, acorda-me. não sei o que hei-de fazer com estas visões.
…
não escrevo a ninguém, deixei de dar notícias. ninguém precisa de saber onde me encontro, se cheguei bem, se vou partir, se mudei de rosto ou de máscara.
um pássaro, dois homens puxando redes.
até quando poderei suportar a minha própria ausência?
e a vertigem?
o mar é um jardim que me afasta, de momento, de qualquer morte. continuar ausente é com certeza a melhor maneira de estar vivo, atento aos estremecimentos do mundo.
sentado no fundo dum espelho tomo a realidade por reflexo, escuto as estrelas, sou espectador das marés, do vento, da chuva, não tenho intenção de inventar um novo rosto para o corpo que perdi.
Al Berto

Persona | Bergman
sentir hoje o mesmo que ontem não é sentir – é lembrar hoje o que se
sentiu ontem, ser hoje o cadáver vivo do que ontem foi a vida perdida.
Fernando Pessoa