fragmentos do diário XI – breves de 2002

“B” regressou.
A frase tantas vezes desejada, sonhada, reinventada.
Um regresso com a data errada, deslocado do tempo e de um sentir.
Os anos passaram e as palavras que havia a dizer foram já esquecidas e o abraço mais demorado é agora um desconforto.
Nela surgiram os cabelos brancos, as rugas, os óculos de ver ao longe. Ao seu lado senti-me quase demasiado jovem. Como se me tivesse de desculpar por não ter envelhecido também.
Os barcos estão hoje ancorados ao cais, como estarão amanhã. Mas será o meu olhar sobre os barcos hoje igual ao de amanhã?
9 Junho

Escrever não é já uma vontade, mas uma necessidade.
Da vida não sei o que fiz, ou fez ela de mim. Não sei o que procurei e o que encontrei nunca foi suficiente.
Não escrevo, não leio, não saio, não bebo, não danço, não seduzo, não oiço, não falo, não penso, não sou Anais Nin.
24 de Outubro

Que os campos de Tirana se estendam diante dos meus olhos e neles possa caminhar durante horas. 24 de Outubro

“Eu amo-te” parece às vezes uma frase feita à qual me habituei, repetida até à exaustão. E não é também verdade que quando repetimos a mesma palavra até à exaustão ela torna-se vazia de sentido? 28 Novembro

Preciso de mais. De viver no limite, de arte. E se tudo fosse possível sem ter de abdicar de coisa alguma, ainda assim não sei se seria feliz. 28 Novembro

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