R-E-S-P-E-C-T
Find out what it means to me
E as incessantes oscilações do meu interior barómetro ao longo desses dez dias: saber que nunca hei-de esquecê-la; desejar vir a esquecê-la; recear vir a esquecê-la; ter a certeza de que a esquecerei e de que não a esquecerei.
David Mourão-Ferreira
There’s a limit to your love
Like a waterfall in slow motion
Like a map with no ocean
There’s a limit to your love
Your love, your love, your love
There’s a limit to you care
So carelessly there, is it truth or dare
There’s a limit to your care
There’s a limit to your love
Like a waterfall in slow motion
Like a map with no ocean
There’s a limit to your love
Your love, your love, your love
There’s a limit to you care
So carelessly there, is it truth or dare
There’s a limit to your care
fragmentos do diário XIX – breves de 2010
2010. Esta contagem sufoca-me. “Que fiz eu da vida?” 27 Janeiro
Ela surge. Precipito-me para fora de mim. Esta vertigem nos olhos dela. E a sensação, quase a certeza, que deveria fugir. Que a perda é sempre inevitável, que a dor virá, que faltar-me-ão as forças. 28 Abril
A capacidade de acreditar é em mim uma memória longínqua.
Desabituo-me facilmente da felicidade. E quando ela chega, demoro a reaprender os movimentos do corpo. 28 Abril
Lisboa anoitece dentro de mim. Percorro as ruas, o rio, até que a lentidão dos passos acalme o corpo.
A tristeza foi sempre a última morada. 15 Junho
Se ela não está, falta-me o ar. 29 Junho
Não acreditava já num amor assim. 30 Junho
Às 9:05 da manhã faltou o telefonema dela. Há 21 anos que falta o telefonema dela. Há 21 anos que deixou de fazer sentido festejar um dia em que a saudade me corrói. 3 Julho
Podia o amor bastar. 16 Agosto
Descubro que já não sou adolescente quando lhe digo que não tenho de me perder para amar. Que duas pessoas podem amar-se continuando a existir. 17 Agosto
Existe este amor. São cinco da manhã e existe este amor.
Dentro e fora de mim ele existe e tem um punhado de facas para me ferir. 19 Setembro
Tenho algumas esperanças na vida – que o mundo irá mudar, que grandes revoluções serão feitas. Não tenho esperanças em mim. 20 Setembro
Este amor é uma maldição. 22 Novembro
Acreditei tanto quanto é humanamente possível acreditar. E repetidamente ela traiu este amor. 22 Novembro
Não percebo este amor que abandona. 10 Dezembro
Ela volta e diz que me ama e eu fico porque não sei não ficar. Este amor, esta dor, prende-me à vida. Descubro que ainda sinto, que ainda choro. 10 Dezembro
Esvaziei-me neste amor. Corri quilómetros para longe de mim. Falhei-me. 11 Dezembro
As saudades colam-se aos ossos. Cada passo que dou nesta casa é um passo sem ela. 19 Dezembro
fragmentos do diário XVIII – breves de 2009
É preciso deixar que as palavras voltem. 18 Março
A paixão constante. A paixão multiplicada. Os envolvimentos gratuitos envoltos num amor inventado.
E o que pode parecer uma máscara é ainda o que me devolve. Sinto em excesso. Sinto o excesso. Respiro. 20 Março
Apaixono-me facilmente no início da Primavera. Posso dizer que se trata de um estado de espírito. Acontece independentemente dos outros. Acontece de dentro para fora. Eu sou a origem da paixão. Eu e a Primavera.
Atribuo o amor. 20 Março
A nossa história terá tido somente um começo. Pode ter sido um momento na cidade. De mãos dadas na cidade. Não haverá meio nem fim. 23 Março
O cansaço é quase insuportável. 9 Junho
Nada me surpreende. A luta tem de ser diária para não cair num suicídio vivo que sinto cada vez mais próximo. 20 Novembro
Sinto cada vez menos falta de pessoas. Cumpro o dever de sair de casa, trabalhar, ser social, como esperam de mim. Há em tudo indiferença. Faço o que tem de ser feito, nem mais, nem menos. 20 Novembro
Chorei compulsivamente ao longo do dia. Podia ter chorado horas, até esvaziar o que dentro de mim ainda resta. 25 Dezembro
A cidade, esta cidade, é um nome longínquo. 31 Dezembro
And all I loved, I loved alone.
Edgar Allan Poe
He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last for ever: I was wrong.
The stars are not wanted now: put out every one;
Pack up the moon and dismantle the sun;
Pour away the ocean and sweep up the wood.
For nothing now can ever come to any good.
W. H. Auden
walking Paris without you

